A oitava edição do ENTREARTES chega ao Museu do Ingá com uma legítima provocação de discutir o papel da tecnologia nas relações humanas da atualidade. Em tempos nos quais se fala em uma sociedade cada vez mais ágil, comunicativa, criativa e com conexões globais instantâneas, a pergunta que se faz é: onde está o EQUILÍBRIO em todas essas relações? E é justamente esse o tema da atual edição, com estreia marcada para o dia 08 de agosto, somente para convidados, e aberta ao público no dia seguinte, 09 de agosto. Nesta edição, o ENTREARTES apresenta as obras das artistas Ana Morche, Ana Schieck, Bia Torres, Lia Berbert, Renata Barreto e Wil Catarina.

A seu modo, os trabalhos de cada uma dessas artistas refletem sobre o resgate necessário do EQUILÍBRIO na busca desenfreada pelo novo. E, nesse sentido, propõem um caminho de volta a sentimentos genuínos, como o respeito à dignidade e o pensar coletivo, inclusivo, justo e em sintonia com a diversidade. Com isso, mais uma vez o ENTREARTES cumpre o seu papel de legitimar a arte como um importante instrumento de reflexão sobre temas da atualidade e desafia o público, através das obras expostas, a pensar no equilíbrio não como uma possibilidade, mas sim como uma necessidade para o bem-estar coletivo.

Sobre as artistas:

A artista Ana Morche tem um longo caminho percorrido nas artes plásticas, desde a década de 80. De lá para cá investiu em várias técnicas diferentes, tais como a cerâmica de alta temperatura; a escultura; o desenho em crayon, bico de pena, lápis de cor e pastel oleoso; a pintura acrílica e a aquarela. Essa última acabou se tornando sua grande paixão em função das transparências. Formada em Letras pela Universidade Federal Fluminense-UFF, com especialização em Arte-Educação, pela Universidade Salgado de Oliveira, a artista adicionou ainda à sua bagagem acadêmica cursos no Museu de Arte Moderna, sob a orientação do artista Gonçalo Ivo e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, com Jayme Sampaio. Além disso, aperfeiçoou seus conhecimentos em Teoria da Cor, com José Maria Dias da Cruz. Para a oitava edição do ENTREARTES, num estilo que poderia ser denominado “abstrato sensível”, Ana apresentará obras que compõem uma nova série de aquarelas em médios formatos. Os trabalhos têm como traço marcante as cores fortes, enquanto as nuances assumem o papel de coadjuvantes do equilíbrio entre raízes da brasilidade e a presença da natureza.

Com o ingresso no curso de Bacharelado em Artes na UFF, a professora e artista visual, Ana Schieck vivencia um momento ímpar em sua trajetória, a partir da retomada do seu trabalho de cunho individual. Formada em Educação Artística e pós-graduada em História da Arte, Ana dedicou muitos anos de sua vida à docência e agora se debruça em um conjunto de desenhos que explora as formas de um objeto cotidiano e banal, mas que segue um padrão tradicional de ser e fazer: a máquina de costura. No entanto, é com esse símbolo que a artista trabalha o equilíbrio entre o novo e o antigo cujos desenhos refletem o tempo dessa tradição, registrado pela escolha do grafite como material e pela observação e o olhar atento como prática. Nas tramas dessa composição, revertida em massas claras e escuras, a série batizada com o nome de “Costura” demonstra que a partir da Arte é possível estabelecer pontes entre o passado e o futuro.

A despeito do estágio inicial em que se encontra como artista plástica, a deficiente auditiva Bia Câmara Torres revela, através da arte, toda a sua capacidade de se expressar nesse mundo cada vez mais midiático. Apesar de sempre ter desenvolvido atividades manuais no passado, foi recentemente que ela vislumbrou no movimento artístico uma forma de marcar a sua presença no mundo. Ela conta que iniciou as aulas de pintura há um ano e que desde então vem nutrindo essa paixão pelo ofício. “Descobri um dom que quero levar adiante”, conta a artista, advertindo que “esse será apenas o começo”. Sobre o espaço conquistado como artista do ENTREARTES, Bia oferece um relato sincero e preciso. “Para mim e para as demais pessoas com necessidades especiais, esse é um espaço muito importante”, conclui.  Aliás, essa é uma preocupação de todas as edições do ENTREARTES, tornar a inclusão um modus operandi, o que demonstra que a “lição de casa” é para todos. Cores, formas e linhas geométricas compõem os trabalhos de Bia Câmara Torres.  Suas obras exibem um perfeito equilíbrio artístico, transmitindo paz aos olhos de quem vê. Aliás, a temática é intrínseca à personalidade harmônica da artista, que também aborda sentimentos como sintonia e união, que partem do singular para o coletivo.

Lia Berbert tem todo um passado dedicado ao desenvolvimento de sua veia artística. Desde a infância frequentou o centro de arte e cultura do Pathernon, em Niterói, onde refinou suas habilidades, tanto para o desenho quanto para a pintura. Porém, uma alergia às tintas e solventes a afastou temporariamente da atividade, mas a arte nunca saiu de sua vida. Naturalmente, ao completar 18 anos sua opção acadêmica foi para a escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, onde, após cinco anos, conquistou o diploma de programadora visual. Formada, trabalhou como designer e diretora de arte. Recentemente, focou suas atenções em um trabalho mais consistente no segmento das artes visuais. Para isso, Lia utiliza a fotografia, a arte digital, a colagem e a pintura como ferramentas que têm como proposta o desenvolvimento de uma linguagem. Entretanto, como é da sua natureza a experimentação, decidiu em função disso aperfeiçoar a sua arte através de cursos no IED, tendo Toz Vianna como professor, e no Parque Lage com Pedro Varella e Rodrigo Torres. Como herança do design, a artista visual traz um traço marcante na exploração das formas e na utilização de cores vibrantes.

Há 15 anos representando a Barreto Cysneiros – Arquitetos Associados, um dos 20 escritórios mais atuantes de Niterói, a artista plástica Renata Barreto tem em sua arte características herdadas da sua formação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal Fluminense – UFF. A despeito do brilhante trabalho desenvolvido na Barreto Cysneiros, escritório esse sete vezes premiado pelo Clube de Arquitetura e Design de Niterói – CADN, ela também se destaca no segmento das artes. Ao utilizar o spray e o nanquim em perfeito equilíbrio, Renata tem como preocupação ressaltar na sua arte urbana as composições orgânicas que têm a natureza como fonte de inspiração.

 

A artista visual Wil Catarina é dona de uma carreira consolidada como Designer Gráfica e Digital. Formada em desenho técnico, produção publicitária e artes, ela teve o trabalho reconhecido com a publicação de sua arte no selo comemorativo do Ano Polar Antártico. O lançamento aconteceu simultaneamente na saudosa Estação Antártica Brasileira, a Comandante Ferraz, e no Senado Federal. Atualmente completando o curso de Artes na UFF, Wil traz para esta mostra suas telas que vão do rigor do geométrico ao desprendimento de pinceladas livres, e vão das cores puras e primárias até as possibilidades de misturas das aquarelas, tais diversidades trazem enfim um equilíbrio visual.

ENTREARTES – O projeto

Vislumbrando as grandes cidades mundiais onde a cultura se espalha por cada canto, seja dentro dos circuitos tradicionais, galerias alternativas ou nas próprias ruas, o projeto ENTREARTES se lançou em Niterói, em 2017, visando fomentar a arte na cidade. Idealizado pela Equipe Cacau Dias, o projeto traz a união de artistas dos mais diversos segmentos, espalhando talento, beleza e arte fora dos espaços comuns.

“Nossa cidade é um verdadeiro celeiro de artistas. Seja na pintura, música, escultura, literatura, dança, entre outros, sempre tem um niteroiense se destacando e brilhando pelo mundo. Pensando nisso, por que não valorizar nossa “prata da casa”, além de dar uma badalada em Niterói?”, ressaltou a idealizadora Cacau Dias.

O projeto é itinerante e já embarcou em diferentes espaços da nossa cidade. A primeira edição foi realizada em um Galpão na Ponta D’Areia, enquanto na segunda o local escolhido foi o Solar do Jambeiro. Na sua terceira edição, o shopping mais badalado da cidade, o Plaza, também sediou a mostra. Já a quarta ocorreu na reinauguração do Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, em homenagem aos 25 anos de Rodrigo Saramago. A quinta teve como sede a Sala de Cultura Leila Diniz, enquanto a sexta edição retornou ao Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, com a “Exposição Eu AMO Niterói”. Na sua sétima edição, pela segunda vez, teve como cenário o fantástico Solar do Jambeiro. Agora no mês de agosto, o 8º ENTREARTES estreia em um dos monumentos arquitetônicos mais icônicos da nossa cidade: o Museu do Ingá.

Serviço:

8º ENTREARTES

Data: 8 de agosto
Período de visitação: 9 a 31 de agosto de 2019

Horário de funcionamento: Terça a sábado de 12h às 17h

Local: Museu do Ingá

Endereço: Rua Pres. Pedreira, 78 – Ingá, Niterói – RJ, 24210-470

Entrada gratuita

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