Alabê de Jerusalém na quadra da ViradouroO Samba vai dar lugar a Ópera. A quadra da Unidos da Viradouro, em Niterói (RJ), será palco para a ópera brasileira Alabê de Jerusalém, do compositor e cantor Altay Veloso, nos dias 13, 14, 15 e 16 de janeiro de 2016, sempre às 20h30. O espetáculo, sucesso de público e crítica, e com direção e coreografia de Fábio de Mello, conta com a participação de dezenas de artistas, entre eles Isabel Fillardis, Watusi e Jayme Periard, e é uma celebração a tolerância e ao amor. A realização é da Prefeitura de Niterói em parceria com o Ministério da Cultura.

O Alabê de Jerusalém, que também será o enredo da Viradouro na Sapucaí este ano (2016), fala sobre a saga de Ogundana, africano do antigo Daomé (atual Nigéria), contemporâneo de Jesus Cristo, que hoje, dois mil anos depois, retorna a terra para contar sua história. Era ele quem cuidava da casa da música na tribo dos Iorubás. A ópera trás passagens marcantes da trajetória de Ogundana, como a amizade com Jesus e a paixão por Judith.

A riqueza musical e poética da obra, a primorosa construção cênica, os mais de 250 figurinos, aliados a um corpo de balé com 24 bailarinos, um coral com 18 cantores e uma trilha musical gravada por mais de 80 músicos, dão origem a essa grande ópera brasileira para tempos de globalização da consciência.

Fruto de mais de 25 anos de pesquisa, a peça foi encenada pela primeira vez em 2005, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e contou com a participação de Lenine, Elba Ramalho, Alcione, Sandra de Sá, Fafá de Belém, Zezé Motta, Lucinha Lins, entre outros. Daí em diante, foram inúmeras apresentações, levando milhares de pessoas ao teatro.

Absolutamente original e fundamentalmente brasileira, a obra assume a pluralidade do nosso país, contribuindo para ampliar o conceito de cultura popular.

A saga de Ogundana se inicia quando ele deixa sua tribo do reino Iorubá ainda menino, com 12 anos, e segue rumo ao norte da África.

Depois de caminhar por anos, conhecendo nações, atravessando desertos, savanas, montanhas e vales africanos, chega, enfim, já com 20 anos de idade, às margens do Rio Nilo, onde aprende a avançada medicina do Egito. Une, assim, os conhecimentos terapêuticos aos que aprendeu em sua aldeia, tornando-se um homem capaz de curas.

Em sua jornada, no território da Núbia, Ogundana encontra um centurião romano com um sério ferimento feito por uma espada. O Africano, então, cura o oficial, que por agradecimento o convida a ir a Roma.

Em Roma, Ogundana passa a receber soldo para ser um dos médicos do exército romano e quando Pôncio Pilatos é designado governador da Judéia, parte junto da tropa. Na cidade de Cesaréia, apaixona-se por Judith, uma linda judia que é prima de Maria Madalena. Na Galiléia, Ogundana ouve o Sermão da Montanha, conhece Jesus Cristo e, apaixonado pelos ensinamentos do Mestre, o segue até os seus últimos dias, em Jerusalém.

Hoje, dois mil anos depois, no Brasil, num templo de culto africano, o homem de Daomé retorna ao planeta como uma entidade de nome Alabê de Jerusalém para contar sua experiência.

O espetáculo, desde a sua estreia, tem tido o apoio de todos os setores da comunidade artística brasileira, das instituições que trabalham para a efetiva inclusão social daqueles a quem, historicamente, tem sido negada uma participação digna na vida do país e, por conta do seu conteúdo, que busca o mais profundo sentimento de amor, respeito e tolerância entre as diferentes culturas, o Alebê tem recebido congratulações de entidades como a Unesco.

“Óperas como o Alabê de Jerusalém, só Quincy Jones e Gershwin fizeram”, destaca o apresentador, Jô Soares.

“É uma história que manifesta tanta tolerância, tanta luminosidade, tanta beleza, tanta arte, tanta perfeição e profundidade. Nos dias de hoje, é difícil a gente ter contato com uma obra musical tão profunda, quanto o Alabe”, ressalta o cantor e compositor, Jorge Vercilo.

Além de ser uma celebração cultural de alto nível, a peça se propõe a emocionar e provocar uma reflexão sobre os temas da tolerância e da convivência pacífica entre as diferentes crenças e raças. A obra é resultado de mais de mais de duas décadas de pesquisas, inclusive com viagens a Jerusalém, à Nigéria, a Angola e à Bahia.

Serviço:
ALABÊ DE JERUSALÉM na quadra da Unidos do Viradouro
Ópera brasileira de Altay Veloso, com direção de Fabio de Mello e participação de dezenas de artistas, entre bailarinos, atores e músicos
Temporada: de 13 a 16 de janeiro de 2016
Horário: 20h30
Local: Quadra da Unidos do Viradouro
Endereço: Av. do Contorno, 16, Barreto, Niterói-RJ
Informações: (21) 2621-5050 – ramal 227
Classificação: livre
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