Inspirado no conto “Sapatos vermelhos”, de Hans Christian Andersen, o monólogo traz o ator Matheus Lima e fala sobre luta de classes

Matheus Lima encena o monólogo “Vermelha”, inspirado no conto “Sapatos Vermelhos”, de Hans Christian Andersen, com direção de Marcela Andrade, no Teatro da UFF, com temporada de 14 a 30 de junho de 2019, sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h. Ingressos – R$40,00 (inteira) e R$20,00 (meia).

Vermelha é o terceiro espetáculo da Cia. de Teatro Manual, um solo com dramaturgia de Cecília Ripoll, direção de Marcela Andrade e atuação de Matheus Lima. Em cena, Matheus conta a história de um menino que trabalha exaustivamente em uma fábrica de sapatos, mas que contraditoriamente não tem condições de juntar dinheiro para comprar o seu próprio calçado. Um dia, ele descobre que as mercadorias que eles produzem na fábrica, situada no país de baixo, são vendidas a um preço bem menor se compradas no país de cima, para onde são exportadas. Começa então uma batalha entre a classe trabalhadora, que quer ter acesso aos sapatos, e o presidente daquele país que propõe a construção de um muro para impedir a entrada dos imigrantes descalços.

Vermelha pretende aprofundar a continuada pesquisa da Cia. acerca do gesto e do espaço cênico. Em 2014, com a peça Hominus Brasilis, o coletivo foi indicado ao Prêmio Shell RJ de Melhor Direção e ao Prêmio Cesgranrio, na Categoria Especial, pelo estudo do espaço cênico por intermédio da plataforma. Agora, o grupo se lança ao desafio de encenar uma saga repleta de acontecimentos, numerosos personagens e geografias distintas com um único ator no palco.

“Neste primeiro solo da companhia e meu também, o objeto plataforma não estará em cena, mas os princípios que norteiam o trabalho dela, sim: a gestualidade, o corpo expressivo, a pantomima, a comicidade física, o trabalho rítmico, a construção da atmosfera por meio das sonoridades, enfim, elementos que definem nosso trabalho”, destaca Matheus, que interpreta quatro personagens fixos: o menino, a mãe, o presidente do país de cima e o presidente do país de baixo.

O conto Sapatos vermelhos, de Hans Christian Andersen, foi o disparador do processo que resultou em uma nova dramaturgia textual que se descola da narrativa original. “No conto de Andersen existe um movimento muito forte entre desejo e repressão, repressão e desejo, além da cor vermelha que está relacionada a esses dois polos. Esses sentimentos foram os que mais me fisgaram no conto e que impulsionaram a minha criação”, afirma Cecília Ripoll. Dois clássicos de Charlie Chaplin também serviram de fonte: O grande ditador e Tempos modernos.

A encenação, uma mescla de densidade e comicidade, se estrutura em frases curtas e pontuais, pensadas enquanto enunciados da trama, espécie de “legendas orais”, oferecendo lacunas a serem preenchidas pela relação entre ator e espectador. Matheus joga com as frases-legenda como se fossem companheiras de cena e transita por todos os fatos e personagens, ora sendo, ora vendo, ora manipulando. Para Marcela Andrade, a direção desse trabalho é uma resposta à força e à inteligência da dramaturgia da Cecilia Ripoll em conjunto com a potência artística do ator – “Matheus Lima é um artista interessado em todas as frentes do processo criativo. Sua trajetória como ator é uma relação de vida em muitas camadas: familiares, sociais e ancestrais. Para mim, nesse momento histórico do país, Matheus, de maneira corajosa, segue experimentando o teatro, que é a nossa forma comum de seguir experimentando a vida, quero dizer, as vidas possíveis. Encontrar o público se torna oportunidade para experimentarmos ainda mais”, finaliza a diretora.

A Cia de Teatro Manual nasceu em 2011, após os atores Matheus Lima e Helena Marques conhecerem, em 2010, a técnica da linguagem da plataforma, em um curso de especialização na LISPA – Escola Internacional de Artes Cênicas de Londres. De volta ao Brasil, o casal se juntou a Dio Cavalcanti e Patrícia Ubeda e, durante três anos, se dedicaram ao estudo do formato e à pesquisa do espaço cênico e do corpo expressivo, até chegarem ao espetáculo de estreia Hominus Brasilis, em 2014, indicado aos Prêmios Shell de Melhor Direção e Cesgranrio na categoria Especial pelo Estudo sobre o Espaço Cênico através da Plataforma. Com Hominus Brasilis, a Cia representou o Brasil nos festivais internacionais Chicago Physical Festival (EUA – 2016), Festival Efímero de Teatro Independente (Argentina – 2017), Beijing Comedy Week (China – 2017), Festival Gargalhadas na Lua (Lisboa – 2019) e Festival Internacional de Teatro de Alentejo (FITA – 2019). Com o espetáculo infantojuvenil A Menina e a Árvore (2018), a Cia. foi indicada aos Prêmios Zilka Salaberry de Melhor Iluminação e ao Prêmio CBTIJ de Melhor Direção, Melhor Iluminação, Preparação Corporal, Coletivo de atores e atrizes, Fotografia de Cena, Visagismo e Arte Gráfica.

Ficha Técnica

Direção: Marcela Andrade

Dramaturgia: Cecilia Ripoll

Atuação: Matheus Lima

Colaboração artística: Dio Cavalcanti e Helena Marques

Trilha Sonora Original: Roberto Souza

Vozes: Matheus Lima, Helena Marques, Marcela Andrade e Roberto Souza

Cenografia: Elsa Romero

Cenotécnico: Roberto Rodrigues

Figurino: Camila Nhary

Adereço – prótese: Mona Magalhães e Derô Martín

Visagismo: Mona Magalhães

Iluminação: Ana Luzia de Simoni

Design gráfico: Jaqueline Sampin

Fotos: Renato Mangolin

Operação de luz: João Gioia

Operação de som: Luiz Rolim Fadul

Assistente de produção: Gabrielly Vianna

Produção: Bárbara Galvão, Carolina Bellardi e Fernanda Pascoal (Pagu Produções Culturais)

Idealização: Helena Marques

Coordenação de projeto: Cia de Teatro Manual

Serviço:

Vermelha

De 14 a 30 de junho de 2019, sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h

Com Matheus Lima

Dramaturgia – Cecília Ripoll

Direção – Marcela Andrade

Teatro da UFF – Rua Miguel de Frias 9, Icaraí, Niterói

Ingressos – R$40,00 (inteira) e R$20,00 (meia)

Classificação etária – 12 anos

Duração do espetáculo: 60 minutos

 

 

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